Shinichi Maruyama

Shinichi Murayama nasceu em 1968 em Nagano, Japão. Formou-se em 1991 na Chiba University e em 2003 mudou-se para Nova York. Estas são todas as informações oferecidas em sua biografia no seu website. Shinichi Murayama, ou Shin, como ele mesmo assina seus e-mails, tem uma postura diferente da maioria dos fotógrafos e artistas que conheço. Fala muito pouco sobre si, mas comenta bastante sobre seu trabalho. Seu website tem uma página – Statements – com explicações claras sobre a motivação e execução de cada uma de suas séries. Tem inclusive um vídeo de making-off dele trabalhando em uma de suas séries.

Para quem não conhece seu trabalho, parece um pouco desnecessário, principalmente o vídeo de making-off. Quem quer ver um fotografo andando a esmo pela cidade ou parado horas a fio em um campo, a espera do momento certo do click, ou ainda, trabalhando durante horas na edição de imagens no computador? Acontece que Shin não é um fotógrafo tradicional. Na verdade, Shin é mais um artista plástico do que um fotógrafo. Ele mesmo afirma que a fotografia é apenas a ferramenta que ele vem utilizando para desenvolver seus projetos, mas que poderia usar qualquer outra ferramenta que melhor atenda suas necessidades no futuro.

Mas por enquanto Shin tem usado a fotografia, em especial a técnica de fotografia em alta velocidade, usada para congelar o movimento. Uma sessão de fotos cuidadosamente planejada e uma boa dose de edição de imagens é tudo que Shin tem usado para criar suas séries. Shin já usou água, tintas e até corpos humanos para criar suas obras de arte baseadas no movimento de líquidos e corpos. Na minha opinião são imagens incríveis.

Ok, isso não é nada original, tem muita gente trabalhando com ‘splash’ e criando imagens incríveis também. Pode não ser original ou sequer as melhores imagens já criadas neste estilo, mas acho que o conjunto de cada série e a consistência do seu trabalho, valorizam muito a sua obra.

Como foi dito no início, Shin mora em NY e infelizmente não foi possível uma conversa pessoalmente. Por isso essa entrevista foi feita por email, ou melhor, e-mails. Shin teve a gentileza e a paciência de responder todos os meus e-mails com perguntas adicionais devido a algumas de suas respostas originais.

Shinichi Maruyama - Garden_03

1. Como você se considera, um fotógrafo ou um artista plástico?

Eu amo fotografia mas se houvesse outro método de produção artística que fosse melhor para expressar minhas ideias eu adoraria usá-lo.

2. Olhando para o seu trabalho, eu vejo um artista plástico que usa a fotografia como ferramenta de criação. Por que você escolheu a fotografia como ferramenta?

Eu sempre fui fascinado pela fotografia e este foi o método que usei incialmente para me expressar. Isso não quer dizer que uso apenas a fotografia. Se a fotografia não puder expressar adequadamente minhas intenções eu usarei outra ferramenta.

3. Eu percebo que você trabalha principalmente com fotografia de alta velocidade, que é uma técnica que demanda um certo tempo de aprendizado e prática para dominar. Você escolheu a fotografia como ferramenta antes e depois se preparou estudando e praticando as técnicas necessárias, ou você já era experiente em técnicas fotográficas e viu uma forma de combinar este conhecimento com suas tendências artísticas?

Desde a infância, eu tenho me interessado não apenas no potencial criativo da fotografia, mas também nos seus aspectos técnicos. Eu me graduei em ‘Química de Fotografia’. O potencial criativo e os elementos técnicos da fotografia e vídeo sempre tiveram grande destaque no meu trabalho. Sempre me interessei igualmente por ambos os lados desta atividade.

4. Em sua última edição, a Fotografia et al trouxe na capa um artigo sobre Claudio Edinger, um importante fotógrafo brasileiro. Claudio, com uma carreira de mais de 40 anos e uma produção extensa e diversa, concentrou grande parte do seu trabalho em uma técnica específica que ele vem aprimorando ao longo dos anos, o foco seletivo. O trabalho exposto no seu website – Kusho, Water Sculpture, Garden e Nude – é todo construído a partir da mesma técnica: fotografia de alta velocidade. Você acredita que esta técnica é suficiente para continuar sua produção artística ou você sente a necessidade de ampliar seus horizontes a este respeito no futuro?

Eu sempre tive o desejo de descobrir novas imagens. Novas imagens que eu gostaria de criar, podem as vezes ser criadas com tecnologias antigas. Mas algumas das ideias que tenho requerem tecnologias que ainda não existem ou não são acessíveis, e eu estou aguardando ansioso por elas se tornarem disponíveis.

5. Em suas declarações sobre seu trabalho artístico você declara que sua inspiração vem da escrita chinesa. Esta é sua única fonte de inspiração? E mais, você foi de alguma forma inspirado pelo trabalho de algum fotógrafo?

Eu me inspiro na história e em todas as minhas experiências.

6. Você tem em seu website declarações explicativas sobre sua própria produção artística, algo que ainda não é muito comum em fotografia, assim como making-off videos. Em sua edição #1 a Fotografia et al trouxe um artigo de Alan Bamberger discutindo a importância de declarações artísticas apropriadas como ferramenta de valorização do trabalho artístico. Qual sua opinião sobre o assunto?

Às vezes eu gostaria que as pessoas apenas olhassem para o meu trabalho e o apreciassem sem nenhum tipo de declaração ou explicação. Entretanto, quando eu olho para o trabalho de artistas que eu respeito, suas declarações artísticas me ajudam a compreender melhor os conceitos por trás de sua obra. As declarações dão mais profundidade a obra artística e uma nova impressão da mesma. Eu também quero criar um trabalho com um significado mais profundo. Neste caso, eu penso que declarações artísticas ou outras ferramentas úteis para este fim são muito importantes.

7. Seus três primeiros projetos são bem similares, e o quarto é uma variação da mesma ideia. Como funciona seu processo criativo?

Eu estou interessado no conceito do tempo, especialmente na sua natureza efêmera, eu venho tentando expressar estes pensamentos através do meu trabalho. Deste ponto de vista, eu diria que todas as minhas series derivam de um mesmo ponto de partida.

8. Uma vez que você determina um objetivo, um novo projeto, como é o seu processo de trabalho?

Eu trabalho em diferentes trabalhos ao mesmo tempo. Minha velocidade de produção não rápida mas eu foco em um único tema no momento certo, e meu objetivo é completar e introduzir uma nova série por ano.

9. Quanto tempo leva para você completar um projeto e, você usa algum método específico para selecionar as imagens finais ou se baseia apenas no seu sentimento pessoal do que ficou melhor?

Para mim, leva usualmente dois anos para completar uma série. Uma das formas que uso para julgar se devo ou não apresentar este trabalho para o público é avaliar se este trabalho pode ser apreciado pelo público de vários anos no futuro.

10. Você pode comentar algum projeto que esteja trabalhando atualmente?

Em meus trabalhos passados eu tentei expressar e compartilhar com outras pessoas algo que todos nós sentimos, mas em meu trabalho atual estou focando em assuntos de interesse mais pessoal.

11. Qual sua opinião sobre o papel da fotografia no mercado de arte atualmente? Você acredita que os colecionadores de arte estejam valorizando mais as obras fotográficas, ou ela ainda é subvalorizada em comparação com obras de arte mais tradicionais?

Apesar da fotografia ser um meio relativamente novo no mercado fine art, eu acredito que é razoavelmente bem valorizado. Eu acho que é impossível comparar a fotografia com a pintura e escultura, por exemplo, visto que estas têm uma história muito mais longa e um número muito maior de artistas e obras de arte de destaque. Estas diferenças são muito grandes para permitir uma comparação justa.

12. E para terminar, há algum fotógrafo ou artista brasileiro que você admira e ou acompanha o trabalho?

Sim, com certeza eu admiro o trabalho de artistas brasileiros, mas infelizmente não há nenhum em especial que eu acompanhe atentamente.

Shinichi Maruyama - Garden_01

Para ver mais imagens de Shinichi acesse a revista online na íntegra clicando na imagem abaixo.

Fotografia et al #3

 

Carlos Alexandre Pereira

Fotógrafo e autor de artigos sobre fotografia e viagens, interessado por expedições fotográficas e explorações urbanas, com uma paixão por fotografia P&B que se reflete no seu portfólio quase monocromático. Fotografia Fine Art em séries limitadas no website www.photostandonline.com. Informações sobre workshops de fotografia e expedições fotográficas em www.calexandrep.com.

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