Diego Kuffer – Um café com o Crononauta

Por Mario Amaya

Diego Kuffer possui dois perfis no Facebook. Um deles é como fotógrafo e o outro como artista plástico. Bateu uma dúvida sobre qual dos perfis criaria o ambiente mais adequado para conversar com ele sobre sua produção autoral, que é com base fotográfica, porém transcende muito aquilo que convencionamos chamar de fotos.

Em séries fotográficas como ‘Transitórios’ e ‘Intempéries’, a abordagem consiste em fixar tecnicamente as variações no tempo da cena fotografada, utilizando camadas e subdivisões do espaço. Algumas vezes as subdivisões acompanham os contornos da cena, outras vezes se intercalam num padrão abstrato. É como se o artista pegasse partes de imagens impressas em papel, os recortasse e os trançasse, formando uma narrativa visual temporal-espacial que cabe nas duas dimensões limitadas da imagem impressa. Ao mesmo tempo em que estende a informação visual a respeito do assunto, essa linguagem expõe para o espectador as lacunas da percepção e da memória.

O entrelaçamento de imagens ele executa de maneira física e literal em ‘Comunhão’, uma das séries presentemente em andamento. Nas demais séries a implementação foi digital, por um processo exclusivo e laborioso.

Obtivemos uma visão clara de sua abordagem sensorial e psicológica conversando com ele ao vivo. Despojado e sem ambiguidades, ele explicou em primeiro lugar a sua escolha pela fotografia como o suporte fundamental para suas explorações visuais. Segundo ele, as limitações do meio são, paradoxalmente, a fonte de sua força expressiva. Para entender melhor, fique com suas próprias palavras daqui em diante.

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As pessoas criam porque precisam criar. Todo mundo tem uma fantasia de dizer: ‘Tchau, vou embora do dito mundo civilizado’. Mas para mim é inevitável, ao me instalar num lugar, sacar a câmera, pois simplesmente preciso fazer a foto. A necessidade de fotografar me atravessa de forma irresistível.

A parte menos ‘documentada’, por dizer assim, da minha biografia, é que antes de querer ser fotógrafo eu queria ser psicanalista. Formei-me em Administração e fiz pós em Semiótica Psicanalítica na PUC-SP. Nesse período, resolvi que seria analista da linha lacaniana. Depois mudei de ideia e desisti, porque o processo psicanalítico não era ideal para mim; muito lento e sofrido. Nessa altura, já tinha começado a fazer fotografia como hobby.

Para ler o artigo completo acesse a revista online na íntegra clicando na imagem abaixo.

Fotografia et al #3

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