Myanmar – Viagem a Terra Dourada

Por Arthur Monteiro e Isabela Lyrio

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Há alguns anos, ganhamos uma antiga revista Geográfica Universal de um irmão, e foi nestas páginas que a Birmânia deixou de ser apenas um nome de país exótico e foi para nossa lista de desejos. Na revista, de 1995, o Myanmar ainda se chamava Birmânia, mas desde sempre fantástico e digno do olhar aguçado de muitos exploradores.

O Myanmar é um país cuja história teve muitos protagonistas: oito grandes grupos étnicos se espalham por planícies, montanhas e florestas, reinos que foram suprimindo uns aos outros no decorrer dos séculos e unificaram o país. Após três guerras perdidas contra o Império Britânico, em 1885 o Palácio de Vidro em Mandalay foi finalmente conquistado e a Birmânia se tornou província da Índia Britânica – um status que ressentiu um país até então entre os mais ricos da Ásia. Mesmo trazendo tecnologia e infraestrutura, os britânicos trouxeram também o desprezo ao povo e às tradições birmanesas, além de saquear florestas e recursos minerais do país. Embora independente desde 1948, graças a um golpe militar nos anos 60, a corrupção governamental e aos conflitos separatistas, se tornou um dos mais pobres do continente e vive uma guerra civil desde então.

Após décadas fechado para o mundo, o Myanmar começa a se abrir para o turismo, seguindo o rastro bilionário de seu vizinho Tailândia. Encontrar informações sobre fronteiras e travessias entre cidades se mostrou tarefa complexa, pois as regras do país mudam com o humor militar e a grande maioria das informações encontradas estava desatualizada. Durante os anos mais escuros da ditadura, os estrangeiros só podiam ficar no máximo uma semana no país e apenas em agosto de 2013 as fronteiras terrestres foram abertas. A infraestrutura é precária e confusa, em algumas regiões o acesso de estrangeiros é proibido e em outras só é permitido com guia autorizado.

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Sobrevoando os arredores de Mandalay, a última capital real, a paisagem do país se revelou: campos de arroz cercando pequenos vilarejos em planícies semiáridas e estupas douradas pontuando a vista. O caminho entre o aeroporto e a cidade era seco, mas o ar que inspirávamos trazia encantamento e insinuava que tínhamos chegado onde há muito sonhávamos. A cidade lembra a Índia, um caos colorido e poeirento onde tudo de alguma maneira dá certo, uma urgência em nos fazer encontrar a paz no meio da loucura e a opulência de paisagens humanas.

O rosto mais conhecido do país está impresso em revistas, livros e pôsteres de norte a sul: Aung San Suu Kyi. Filha do líder da independência, desde 1988 luta pacificamente pela democracia e liberdade no Myanmar. Por sua voz a favor dos direitos humanos, passou 15 anos em prisão domiciliar, sendo libertada em 2010 após muita pressão interna e externa, incluindo o Prêmio Nobel da Paz em 1991 e sanções econômicas internacionais. Hoje é parlamentar e é comparada a Mahatma Gandhi e Nelson Mandela.

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Para ler o artigo completo acesse a revista online na íntegra clicando na imagem abaixo.

Fotografia et al #3

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